
Ando cultivando um jardim. As rosas não são raras. As flores dei-me a colher no mato. Têm um colorido que admiro e estão florescendo. Gastei um bom tempo revolvendo a terra e tirando-lhe as pedras. Ainda não está de todo pronto, mas já se respira algum perfume. Quando comecei, era inverno. Tardei a sentir coragem para o início. Teimei com as chuvas a minha empreitada. A água despencada, desenterrava as sementes, fazia tombar os galhinhos num desconstruir ordenado. E no amanhecer era preciso recomeçar o trabalho, dia após dia, até que o céu desse uma trégua justa. Eu conversava com as flores e elas tinham esperança. Eram carinhosas e compreensivas. Não como eu que não tive a paciência de te tentar amar de novo. Elas esperam a primavera e o passeio das moças nas calçadas. Eu espero o silêncio,
que não tarda a chegar quando me isolo nas lembranças.
Leometáfora
4 comentários:
Lindo seu texto!
Descrevestes um romance lindo.
Bjs Hugo
Mila Lopes
Eu bem gostaria de ter um jardim como o seu, mas moro em um apertamento...rs
Sempre que tento cultivar flores, elas acabam morrendo.
Devem sentir falta do ar, do sol e da chuva.
Tenha um ótimo domingo!
Bjs da amiga,
Anne.
Nossa...achei massa os teus escritos e o jardim também. Amo o contato com o verde, com a terra, o mar, enfim, a gênese da palavra também está aí.
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