Se amar demais fizesse alguma diferença, e os sonhos pudessem existir além do acordo dado ao silêncio da noite. Se agora que que te escrevo, roubando do anonimato uma confissão impossível de aguentar, eu fosse distituido de algumas das verdades mais crueis sobre a vida. Se eu desistisse de entender porque não temos o desejo ao nosso favor e me resignasse. Eu acho que faria tudo de novo, só pra mostrar que o destino nada tem a ver com esperança.
Leometáfora
sábado, 29 de novembro de 2008
sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Eu sinto falta do tempo que se falava de livros. Que dividiam-se na alegria de ter posto à cabo um capítulo inteiro. Ver o olhar delatado pelas grandes verdades alimentadas por palavras. Sinto falta do tempo que se tinha mais assunto pra conversar. Que o flerte era uma recordar divertido das frases de romances devorados. Hoje se fala pouco ou se fala mal.
Eu não queria sentir tanta falta de um bom papo.
Mas... Que livro você tem lido?
Leometáfora

E minha paz é o fato de tua voz esta ainda em minha lembrança.
Leometáfora
segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Nunca vou encontrar o amor verdadeiro! É fato que essa árdua procura pode ser eterna! Porque?
Simplesmente porque o simples e confesso não nos atrai. Precisamos do longínquo, do quase impossível.
Precisamos de alguma luta para parecermos melhor do que somos.
E você se olha no espelho depois de ouvir o que te digo e num sorriso me nega: Não eu!
Como se simplificasse tudo e se isentasse da incômoda verdade.
Claro que há alguns que já se encontraram. Que não precisam provar nem a eles mesmos, o que são. Estão libertos.
Mas temos de convir que são a minoria. Nós ainda caminhamos desprevenidos de nossa ilusão. Porém vamos mais um pouco.
Não vamos cansar de tentar. E quando teu coração sentir falta de carinho, olhe ao redor. Que se danem as estrelas!
Talvez aquela que você admire nem exista mais. E ao seu lado irá encontrar o que tanto procurava.
Que só não era visto por causa do maldito cabresto que usavas para só olhar o céu! LEOMETÁFORA

Se existissem outras vidas depois desta, temo que ainda te amaria. Se tivéssemos outras formas, outros nomes, ainda assim eu seria teu. Talvez eu não pudesse falar, e meus olhos brilhariam por ti. Talvez meus pés não soubessem o seu caminho, mas minha lembrança sempre te alcançaria. Talvez minha vida só pudesse durar um segundo. Então, nesse único e breve instante. Extasiado e inundado por uma alegria plena,
gritaria teu nome num registro de existência.
Leometáfora

Não quero mais brincar na aurora numa praça de sol.
Não quero o licor de teus lábios porque os meus saciados se tornarão incapazes de distinguir novos sabores.
Hoje sinto que estou morrendo sem data prevista. Mas me conforta mais o sono que o acordar. Ah me lembro do teu sorriso às vezes!
Eu quase posso sentir teu abraço quando me esforço um pouco mais. Eu queria que as palavras não me infligissem marcas tão profundas. Não queria ser escravo delas. Eu queria reaprender o sorriso. Anseio a dádiva de uma manhã tranqüila. Mas um dia serei livre. Estarei nos ventos flutuando entre os jardins. Serei gota misturada na fonte que te sacia.
Serei terra adubada que germina o amanhã por onde passas.
Leometáfora
domingo, 16 de novembro de 2008

Ah teu doce chupado em estampido. Teu rastro nas entranhas de meus lençóis.
Teu cheiro corando minha face confessando o gozo. Teu ritmo colorido de suor. Tua nave navegante em nuvens.
Tuas madeixas, tuas deixas. Crias flor onde deitas. Cria cor teu batom tirado num beijo.
Ah tua fala cuidadosa de silêncio. A tua tarde despertando a noite.
E onde mora o amanhã seguinte, Lá estaremos. Tu e eu. E a tua certeza que não se nega.
Leometáfora

Descobri que já sinto o medo. Das lembranças que virão de tua saudade.
De teu cheiro enraizado em minha pele. Sinto medo de te amar eternamente, em desafio a finitude da vida.
Dos tremores afogados em tua língua. Das palavras ensaiadas em teus ouvidos suaves. Ah o medo que a tua esperança esteja além do sonho.
E eu, que talvez consiga construir alguma beleza em meus versos,
sinto medo de tuas andanças por entre as estrelas, que são ainda mais que palavras. Leometáfora

Então é madrugada numa rua que não é a minha.
Eis as luzes nas janelas, para desjejuns daqueles de labuta matinal.
Estarei só outra vez. Ando a calçada de casas azuladas. De jardins de cuidados e esperas.
E no emaranhado multicor de suas flores, que acordo a lembrança. É uma caminhada de horas.
Em intervalos descompassados, cães me despem de algum torpor.
Na escolha desta ou daquela rua a história se reescreveu.
Hoje meus amigos bebem alegrias e licores. Eu absorvo a saudade de minha juventude.
E sou todo o resumo das portas que usei. Leometáfora

Rezando carnudas bocas em minha nuca, eu me estalo. Junto aos meus ossos que seguem o meu pênis numa curva. Ah pra cima nobre guerreiro e avante! Rasgar os tecidos, manchar o umbigo no cítrico néctar de uma vulva. Então volto a contradizer que quero paixões.
Mordidas, puxões! Inflamadas na alma. Úmidas e loucas, que a carne hoje turva.
Leometáfora

Na dança que dançamos deslizas para longe. Múltiplas vezes largas a mão que te guiaria. Danças teu tango monossílabo de ventos que faz rodopios em teus cabelos. E eu que ensaiei por toda uma vida única valsa, te admiro. O par que te assenta melhor é a luz. Eu escuro escolho tocar um tambor. Que dances mesmo sem vontade! Que cantes a saudade que não me conhece! Não importa. Hoje o ritmo que acompanho, eu sinto em teus pulsos. É a única dança que me farta em alegria. Então, que meus dedos tortos fujam em desaperto dos calçados.
É liberdade o que procuro, imitando toscamente os teus passos bailantes.
Leometáfora
quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ah minha amiga, se é assim, que eu fale sobre algo que não seja o amor.
Eu que sempre me escondi com o tempo que carrega a humanidade,
temendo ir com ela expiar meus pecados com Deus. Responde-me amiga,
sobre o que contar: Sobre as guerras que os homens fazem a compensar um instrumento fálico,
débil ou insignificante? Sobre o terror que aprendemos a jorrar uns nos outros
numa festa profana de nossos egoísmos? Falar o que mudaria se não entregássemos
cada nosso respirar a esse capitão do mato que se chama destino? Não minha irmã
tão contundente e preocupada com os sais da terra. Sou um ser cansado e de juntas frágeis.
Se eu não falo do amor eu me desaprendo.
Leometáfora
domingo, 9 de novembro de 2008

Um beijo teu me bastaria. Tombariam febrilmente os castelos de minha defesa. Roubaria para sempre o afago das lembranças. E só de tua recordação me sustentaria. Então dá-me o sabor de teus lábios, para que depois dele minha língua se negue a conhecer outros gostos. Para que toda a minha força seja o resultado do que me nutre a tua saliva.
Leometáfora

Se eu for brincar de ser feliz, quero tua boca. Nada menos. Quero teu passeio sereno em minha pele. Quero tuas pétalas perfumadas disfarçadas de mãos. Quero o caule forte de tuas coxas numa escalada íngreme e no final saborosa. E se me arranhas com algum espinho esquecido de tua doçura, eu te agradeço. Se eu for brincar de ser feliz rasga minha pele com tuas raízes. Rasga profundo, a consumir a alma em êxtase. Porque brincar e ser feliz,
são coisas de esperança. Leometáfora
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