
E agora, Maria?
Apagastes a luz
Todos foram embora.
Tuas crias dormiram
Faz frio lá fora
E agora Maria?
E agora, mulher?
Tu que tanto sonha,
E que os outros humilham.
És de poucas palavras
Pois ama passiva
E agora Maria?
Está sem seu homem,
Largada a saudade,
Está sem vontade
Só lhe resta beber
Ou quem sabe fumar,
Pra sarar essa mágoa?
Pois já é madrugada
E o dia já vem,
Mas não queres mais.
Com teu riso partido
De teus pesadelos
E tudo foi nada
E tudo era João
Mas João já se foi
E agora Maria?
E agora Maria?
Sua doçura em sentidos
Seu instante de gozo
Sua carne em jejum
Sua lavagem de roupa
Que lê gera uns vinténs.
Seu vestido de chita
Tão incoerente, com a moda,
E agora?
Com a mala na mão
Quer partir amanha
Não existe amanha
Quer morrer ali
Mas com filhos não pode
Quer ir para João
João já não há mais
Maria, e agora?
Se você soubesse
Se você quisesse
Se você pudesse
Ter uma outra história
Se você aprendesse
Ou se afinal cansasse
Ou se afinal dormisse
Mas você não dorme
Você é dura Maria.
E sozinha na vida
Qual cachorro vadio
Sem a mula Dorô
Que morreu de aftosa.
Sem uma certidão
Ou um ombro amigo
Para se aconchegar
Você sonha Maria!
Maria, pra que?
Leometáfora
4 comentários:
Ah, eu vi em primeira mão! rsrsrsrsrsrs Amei primo! ♥
Nossa, encontrei varias Marias que conheço em teu poema...
Bela poesia, um maravilhoso corpo poético.
Bjs meu
Mila
Muito ousado...
Soa tão forte quanto o José, intertextualidade e intergeneicidade total, um êxtase de inferências !! Um outro prisma muito rico "Maria" como dizemos no teatro: aconteceu !
Gostei do ritmo, a estrofação a mesma e a tônica recai praticamente nas mesmas sílabas (claro que existem as inconstâncias, mas até nisso foi genial)!! Trabalho árduo? Não sei! Só sei que é preciso ser mais que homem: é preciso ser poeta !! Parabéns !!!
Poética intertextualidade... M U I TO B O M !
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