quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O príncipe encantado

O príncipe encantado

Ah eu não quero um príncipe encantado.
Quem disso isso a você, menina?
Mas pelo menos ele tem que ser lindo, né?
Tem que ter um sorriso daqueles de comercial de pasta de dentes e usar no mínimo um perfume francês. E na pior das hipóteses um nacional dos bons que custe de cem pra cima.
Não precisa ter fama, mas se tiver melhor.
Um carro é essencial. Menos popular, por favor.
Tem que ter PHD em charme e elegância. Essas roupas que todo mundo usa ninguém merece.
Ele tem que ser safado. Nada daqueles caras comportadinhos, que fazem tudo que a gente pede. Eu gosto é de viver perigosamente.
É tão difícil de encontrar homem assim, menina!
Um homem básico, pelo amor de Deus, é pedir demais? Minhas tias tão aí sozinhas já faz tempo. Dá medo as vezes. E quando isso acontece eu fico pensando que o que eu espero de um homem são coisas que talvez eu não tenha. Nem sou tão bonita assim. Nem tenho esse sorriso tão perfeito. Ou até mesmo nem sei se sou tão boa assim de cama.
Tem um garoto da facul que me escreveu uma carta. Tinha umas palavras bonitinhas. Ele é feio. Não, não é tão feio assim não. Mas ninguém olha pra ele. Numa balada o pobrezinho ia passar desapercebido.
Minhas amigas nunca iriam aprovar.
Cara, eu to pensando nele agora!
Sai pra lá pensamento ruim!
Eu quero é aquele gostoso com cara de cachorrão.
Não vou ficar com um homem feio só porque ele tem bom papo, é inteligente, compreensível, tem bom coração e é tão bonitinho o jeito que ele me olha. Hummm e é tão romântico.
Vixe, parece uma praga. Que coisa chata! Não quero pensar mais nele. Afinal todo homem é assim, né?
Prefiro é sonhar com esse homem que não é o príncipe encantado
mas ta quase lá!


Leometáfora

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Nunca saberemos!

Se meu sonho tiver que terminar assim.
Serei forte, prometo.
Não andarei colhendo no vento as plumas de amor que não me cabem.
Nem te torturarei com esperanças malogradas.
Porque antes de tudo eu sei o valor de cada um.
E sei quando me cabe ou não uma riqueza.
Saiba que se cada palavra for verdadeira,
e se os caminhos forem diferentes é porque cada um sonha com o amor de uma maneira distinta.
E as vezes, acabamos por deixar fechar a porta que poderia nos levar para o paraíso.
Ou não.
Mas isso nunca saberemos!

Leometáfora

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Para a escritora que tanto admiro. Nalva Nogueira.


Acho que eu te esperava sem saber.
Via em outros mares as riquezas das descobertas.
As fantasias de um pirata louco.
Mas não havia onde aportar.
Tudo era mar. E as gaivotas não traziam ramos em seus bicos.
Porque tudo era mar. Profundo e silencioso ou tenso e revolto.
E os licores e vinhos, em minha adega, se tornaram amargos com o tempo.
E oficiais, sobre o meu comando me depuseram.
Fiquei a deriva de sonhos e desejos incompletos.
Juro que estava morrendo.
Que não havia nenhuma certeza de salvação para a minha alma.
Acho que foi no momento que te avistei naquele dia azul.
Descobri que havia encontrado o novo mundo.
A terra harmoniosa e cheia de dádivas divinas.
E estou remando ao teu encontro no pequeno barco que me restou.
Talvez eu demore a tocar suave, tuas areias brancas e macias. Pois estou velho e cansado e ainda resta tanto mar pra navegar.
Talvez seja a ultima coisa que eu faça antes de partir para além.
Entretanto estou certo que valerá a pena cada segundo de descoberta.

Leometáfora

Saudade


Nem sabes tu a saudade que me invade. Quem sou eu que procura a lua dos teus olhos no céu dos meus? Quem sou eu, que anseia pelo doce dos teus lábios num deserto infinito?

Leometáfora

Na sua espera

Na espera de ti eu amanheço. Caminho em silêncio e desejo a tua voz como guia.
Quem sabe é você a metade de mim separada?
Quem sabe é você o beijo que minha boca sonhou?

Leometáfora

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Quem tu amas?

Quem tu amas? Quem tarda a chegar em teu lar?
E esse sonho é bom? Essa é tua forma de se condenar?
Por onde passei vi selvagens, vi tiranos.
A soberba do dia na tristesa dos anos.
Porém não desisti.
Fui um pouco mais. Fiz até poesia.
E um olhar como o seu, desejei um dia.

Por isso estou confuso.Com as mãos atadas.
Coração desnudo.Livre de camadas.
De você tristonha, desenhando o tempo.
De você sorrindo, a dançar no vento.
Eu prefiro esta de alegria infinda.
Muito mais alegre. Muito mais que linda.

Leometáfora

Para Déèh

Tenso. Respira devagar. Cuidado.
Que ando meio torto tão resignado
Já de tantas fendas que essa vida esconde.

Sonhe, mas devagarzinho com seu passo lento.
Pois amor sincero vem qualquer momento.
Então fecha os olhos, sente e me responde.

Se passou o tempo e eu fiquei parado.
Meio delinquido meio assim Jogado.
Como vou seguir já sem ambição?

Se te vi agora? De ti sei tão pouco.
Como pode um louco ser inda mais louco?
E deixar o amor solto em sua mão!

Leometáfora

Faz de conta

É um faz de conta. Eu faço de conta que não te amo. Tu fazes de conta que eu não existo. Eu faço de conta que meus dias são coloridos e as verdades que me impusestes eu não sei de cor. Aí tu vens com esse teu sorriso de esperança e fazes de conta que sou teu amigo e que minha careta de dor na verdade é de gozo. É que meu coração na verdade é um poço, profundo e difícil de se navegar.

Leometáfora

Eu te amaria


Eu te amaria se todas as estrelas lá no céu fossem verdadeiras.
Se todas as plantinhas do mundo precisassem de água.
Se todas as camisetas de botões tivessem botões.
Te amaria se os segundos fossem a essência que compõem os minutos.
Se um ano escorregasse rapidamente em doze meses e me deixasse velho a cada aniversário.
Te amaria se umas vezes o céu corresse azul e outras cinza.
Se de madrugada as rosas recebessem um visitante chamado Orvalho.
Eu te amaria até mesmo se os bebes nascessem sem dentes e alguns sem cabelo nenhum.

Leometáfora

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A estrutura da minha poesia

Eu preciso consumir técnicas e normas para ser entendido. Ser prolixo em meus pensamentos. Erudito em minhas lembranças. Fúnebres ou não, elas precisam ser resumidas na solidão única de uma frase ou as cores vivas de minhas palavras perderão o valor ante ao mundo. Porque aos conservadores, se não cubro o pontilhado que impuseram, as palavras figurarão como abstratas demais para serem arte. Nem comecei meu primeiro esboço, já me condenam a repetição. Pobre de mim que tenho uma péssima memória. Um desmemoriado pode ser um bom escritor? Onde se usa mesmo o gerúndio? Sei lá! A tensão de algumas palavras fogem ao rigor padrão. Desnudam-se elásticas e vivas. Tomando novas proporções, se molduram levemente a necessidade do quadro. Afinal transparecer rigidez não te dá a segurança de ser eficaz ou de ser inquebrável. Cambaleio tonto. Convido as idéias que se amontoaram timidamente ao redor. Terão que me perdoar da minha incapacidade para seguir regras. Elas precisam saber que as exclui porque não sei contar minha história com marionetes de uma língua. Minha inspiração é livre e tem voz própria. Não faço ventriloquismo com a poesia.

Leometáfora

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Desculpa então!

Desculpa então. O sonho. A ilusão. Desculpa então. O desejo. O carinho excessivo. Os frases tão melosas. As ambigüidades. Os incompassos da vida. Desculpa então o meu recolhimento do mundo, só para te adorar. Os lugares que não irei, só pra ficar te esperando. Os livros que não lerei, pois estarei te escrevendo. Desculpa, eu ordeno ou imploro? Porque gostar de alguém que não gosta da gente tem que
ser tão estupidamente doentio?

Leometáfora

O Branco Ratinho

O amor é como um ratinho branco escondido no telhado.
Bonitinho, inocente. Mas que vai lentamente fazendo buracos dentro da gente. Deixando espaços vazios.
Lembranças incompletas. Saudades indetermináveis.
Vai deixando uma sede medonha do desconhecido.
E aí. No dia fatídico de uma tempestade, porque as tempestades sempre vêm mais cedo ou mais tarde,
estamos sob a chuva. Mortos de frio e sem proteção.
E o ratinho esta ali sorridente, inocente, bonitinho. Pronto para o novo telhado que ousarmos construir.

Leometáfora

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Não me ames

Não me ames. Por maior que pareça ou de fato seja o meu amor por você, não me ames. Não resguardes seu tempo a pensar em mim. Não fantasie meus beijos sedentos e inebriados. Não desejes meu calor, nem meu cheiro em teus lençóis. Por mais que pareça óbvio e certo estar ao meu lado, resista. Não é que eu não queira, é que não mereço. Não mereço tua luz me inundando de esperanças. Não mereço a alegria de tuas mãos em minha pele. Estou sujo. Sujo das verdades que descobri. Incapaz de caminhar ao teu lado por saber que a estrada é um emaranhado de incertezas que atraem os fracos a se desviarem, e sei antes de tudo o quanto sou fraco. Ao findar dessa carta, talvez ao menos eu tente implorar-te que me deixe ficar. Porém não agora, enquanto estiveres chorando. Vou querer te provar com algumas de minhas fórmulas preferidas que eu sou a sua melhor escolha. Mas não se iluda, estou mentindo. Quando chega a noite, eu nem mesmo sei pra onde ir, fico olhando as estrelas e esperando um milagre que sarcasticamente sei que não virá. Porque não sou tolo minha doce menina. Porque por mais que eu tenha tentado sê-lo, não sou. As horas são cruéis quando nós temos algumas das respostas mais difíceis em nossa mente.Hoje já não sou o rapaz que te colocaria no colo e ficaria extasiado por tanta beleza. Nem perderia o controle só porque você tem um dos olhares mais lindos que já vi. Tenho a neutralidade de um lago. Sem tormentas. Sem arrebentações. Me entenda querida, não há frieza em mim. É que estou livre. Livre das convenções que nos foram impostas pela vida. Livre de ter que parecer com algo ou alguém que não sou. Quebrei as máscaras que usamos para nos proteger. Não há proteção em mim. Não ha muro de arrimo, barreiras ou trincheiras. Tudo em mim é uma exposição fatal. E quando naquela tarde eu disse que era você, de fato era. E quando você disse sorridente que afinal podíamos ser bons amigos apesar do imenso amor que te dedicava, eu entendi. Por isso não vou cantar minhas canções de amor preferidas. Minhas cartas melosas com aquelas poesias baratas que colecionei, vou rasgá-las. É a leveza da dor que me carrega livre.
Um homem livre que não dorme a noite, pois agora odeia até mesmo a menor hipótese de um sonho romântico.

Leometáfora

Transformações estúpidas

Sobre a carga do mundo descansa um coração sonhador. Poesia em que as palavras já foram rainhas hoje sozinhas não encantam mais ninguém. Porque meu coração fora outrora uma torre destemida, hoje destruída soldados invadem meu coração. Quem sabe é a minha natureza que me engane e não você. Quem sabe meu amor é que esteja ultrapassado? Repouse na história antiga. Mito. Relíquia.
E não o seu que se perdeu em transformações estúpidas.

Leometáfora

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Abismo


Então é essa a cor do abismo? Este tom enegrecido de bordas cinzentas? E esse deve ser o som. Esse silêncio roubado do cavalheiro obscuro da morte. De inúmeras maneiras o abismo me perseguiu. Estava lá quando minha esperança de amar se perdeu. Fora trazido com vento dessas palavras torpes que dizemos uns aos outros quando nos enchemos de orgulho. Depois veio com o fracasso de algum sonho. Contornei-o como pude. Sai-me bem então. Mas fora enganado por ele. Não era tão seguro andar a esmo ao seu redor. Hoje sei que não vou cair. E o preço de tudo isso foi a minha sequidão
e esse olhar embaçado e sem vida.

Leometáfora